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Nessa semana, decidi postar mais um artigo científico sobre o Treinamento HIIT e, por que? Por que tenho recebido muitas mensagens com dúvidas diversas em meu email: fabio.ceschini@hotmail.com. Uma das perguntas que mais recebo é: para que o treinamento HIIT promova benefícios fisiológicos e estéticos é necessário doses elevadas de treinamento? Não necessariamente e, vou explicar isso utilizando um artigo publicado recentemente na Revista Oficial do Colégio Americano de Medicina do Esporte, Medicine Science of Sports and Medicine.

No artigo intitulado “Low-active male adolescentes: a dose response to High-Intensity Interval Training”, Relação dose-resposta do treinamento HIIT em adolescentes do sexo masculino com baixo nível de atividade física, publicado em 2016 por pesquisadores da Nova Zelândia, Logan et al (2016), avaliaram o efeito de 5 doses diferentes do treinamento HIIT associado ao treinamento resistido durante 8 semanas em indicadores antropométricos, de composição corporal, metabólicos e sanguíneos de adolescentes sedentários.

Características dos Avaliados: Foram avaliados 26 adolescentes com idade entre 12 e 18 anos, com baixo nível de atividade física diário. Os adolescentes tinham as seguintes características: peso corporal: 71 Kg; altura: 174 cm; IMC: 23; % de gordura: 25% VO2 de pico: 38,7 ml.kg.min. Todos os adolescentes não participavam regularmente de atividades esportivas estruturadas dentro ou fora da escola, sendo considerados sedentários.

Protocolo de Treino: os adolescentes foram divididos aleatoriamente em 5 grupos. O treinamento HIIT foi realizado 2 vezes na semana em dias alternados com 1 sessão de treinamento resistido. O treinamento HIIT foi composto por 4 séries sendo 20 segundos intenso (92% da FC Máxima) com 10 segundos de pausa passiva. O grupo 1 fez apenas 1 repetição das 4 séries, totalizando 1 minuto e 50 segundos de treino HIIT em uma única sessão. O grupo 2, repetiu o protocolo duas vezes por sessão, totalizando 3 minutos e 40 segundos de treino HIIT em uma única sessão. O grupo 3, repetiu o protocolo três vezes por sessão, totalizando 5 minutos e 30 segundos de treino HIIT em uma única sessão. O grupo 4, repetiu o protocolo quatro vezes por sessão, totalizando 7 minutos e 20 segundos de treino HIIT em uma única sessão. O grupo 5, repetiu o protocolo cinco vezes por sessão, totalizando 9 minutos e 10 segundos de treino HIIT em uma única sessão. Antes de iniciar cada sessão de treinamento HIIT, os adolescentes escolhiam qual a modalidade de exercício onde o treinamento HIIT seria aplicado, podendo ser na esteira, bicicleta ergométrica, transfer, saltos, corrida no solo e no boxe. Além do treinamento HIIT, os adolescentes fizeram uma vez por semana treinamento resistido utilizando máquinas, sendo 3 séries por exercício, entre 8 e 12 repetições a 70% de 1RM.

Controle Alimentar: Todos os adolescentes foram orientados pela equipe de pesquisa para seguir com o mesmo comportamento alimentar durante as 8 semanas de estudo. Os pesquisadores avaliaram o valor calórico total diário da dieta antes e após 8 semanas e não foi observado diferença significativa, sendo o mesmo observado para as atividades físicas diárias. A composição corporal foi avaliado pelo DEXA.

Principais resultados:
Após 8 semanas de treinamento HIIT associado ao treinamento resistido, foi observado (considerando a média para os 5 modelos de protocolo) aumento médio de 6% no VO2 de pico, redução média de 4% no % de gordura, redução média de 10% na gordura visceral e aumento de 4,2% na massa livre de gordura.
Entretanto nem todas as doses de exercício promoveram melhoras na mesma magnitude. Por exemplo, somente os grupos 4 e 5, aumentaram significativamente o VO2 de pico, 8,6% e 7,1%, respectivamente, indicando que somente nas maiores doses houve adaptações fisiológicas centrais e periféricas que resultaram em aumento do VO2 de pico.

A maior magnitude da redução do % de gordura ocorreu nos grupos 2 e 3, representando redução de 4,3% e 6,3%, respectivamente. Foi observado maior aumento da massa livre de gordura (Kg) somente nos grupos 2 e 3, sendo observado aumento de 7,3% e 6,8%, respectivamente. As maiores reduções nos valores de pressão arterial sistólica de repouso foram observadas nos grupos 1 e 2, sendo observado redução de 6,3% e 5,7%, respectivamente. Para gordura visceral (Kg), as maiores reduções foram observadas nos grupos 3 e 5, sendo 24,8% e14,2% respectivamente.

Para indicadores sanguíneos como velocidade de captação de glicose pelo músculo, LDL-colesterol e relação triglicerídeo-HDL não foi observado diferença significativa, ou seja, 3 vezes na semana de treinamento HIIT associado a 1 vez por semana de treinamento resistido não promoveu efeito que permitisse melhorar esses indicadores. Entretanto, houve aumento significativo na quantidade de interleucina-6 no sague proporcionalmente a dose empregada nos 5 protocolos de HIIT. Na maior dose de HIIT (protocolo 5), foi observado aumento significativo de 62% na quantidade de interleucina-6 no sangue. Esse resultado poderia explicar a redução observada nos indicadores de adiposidade como o % de gordura e a redução da adiposidade abdominal, pois a interleucina-6 que é uma citocina produzida no músculo, tem ação de ativação da lipólise no tecido adiposo. Interessante mencionar que os autores relataram no texto que não houve qualquer tipo de rejeição ou lesão provocado pelo protocolo de treinamento.

Então, analisando todos os dados apresentados no artigo, pode se concluir que: A) Como o artigo avaliou a relação DOSE-RESPOSTA do treinamento HIIT associado ao treinamento resistido, poderíamos concluir que para VO2 de pico de gordura visceral, as maiores doses promoveram maiores resultados, certo? Errado! Explico: independentemente de qual foi a dose total do treinamento HIIT, para os indicadores cardiorrespiratórios e de composição corporal, foi observado melhora de forma SIMILAR; B) Embora para algumas variáveis as doses maiores do treinamento HIIT e em outras as doses menores, tenham apresentado percentualmente melhores resultados, não há diferença estatística significativa entre os 5 grupos, indicando que quem treinou em menor dose, melhorou similar a quem treinou na maior dose; C) A falta de diferença estatística entre os 5 grupos, indica que a magnitude da melhora (aumento do VO2 de pico, aumento da massa isenta de gordura, diminuição da adiposidade subcutânea e visceral) foi SIMILAR, portanto, não há necessidade de aplicar maiores doses de treinamento HIIT, pensando nos benefícios para os adolescentes. D) Pensando em tudo isso, uma vez que uma das características do treinamento HIIT é ter curtos período de tempo em intensidades próximas da intensidade máxima, alternando com períodos de tempo maior em intensidade baixa ou parado, essa pode ser uma estratégia interessante para aplicar em adolescentes com objetivo de melhora da composição corporal e da condição cardiorrespiratória, não sendo necessário a aplicação de doses elevadas para atingir resultados importantes para a saúde. Assim, como não foi observado alterações significativas no padrão alimentar e no nível de atividade física diário dos adolescentes durante o período de estudo, os resultados encontrados foram atribuídos aos efeitos fisiológicos promovidos pela combinação, 2 vezes na semana de treinamento HIIT e 1 vez na semana de treinamento resistido.

Os autores deixaram claro no texto que não foi observado qualquer tipo de lesão ou insatisfação dos adolescentes, sendo o modelo HIIT tolerável pelos adolescentes, o que indica que essa mistura de atividades (treino HIIT e resistido), pode ser adaptado para atividades realizadas até nas aulas de Educação Física escolar ou no período de lazer.

Você já utilizou o modelo de treinamento HIIT em seus alunos adolescentes? Pretende utilizar? Não tem ideia de como adaptar o modelo HIIT para adolescentes? Deixe seu comentário contando sua experiência. Deixe um comentário falando das suas dificuldades! Estamos aqui para te ajudar! Tem dificuldades de entender a fisiologia por trás do modelo HIIT? Por favor, me conte como posso te ajudar! Mande uma mensagem, deixe o seu comentário e vamos juntos Viajar pela Fisiologia.

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1 Comentário

  1. Danielle Cardoso disse:

    Muito bom os Estudos aqui mostrados, eu particularmente me interesso muito em fisiologia, e tenho o melhor professor claro Fábio Ceschini rs, adorei os E-books que recebi e os que eu li aqui na página, meu objetivo é me especializar para trabalhar com pessoas idosas pois amo a melhor idade, e contribuir para com a saúde deles dá forma mais correta será gratificante, e aqui aprendi muito com os Post, vou continuar seguindo e assistindo as vídeos aulas e lendo os artigos!!! Parabéns Professor pelo sucesso